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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

História da Colônia Juliano Moreira



Por Janis Cassilia (pesquisadora do IHBAJA)
Nos primeiros anos do século XX, a nova república brasileira lutava pela criação de um Brasil Moderno. No Rio de Janeiro foi a época das “Reformas de Pereira Passos” que embelezou a cidade, mas criou um abismo entre os mais ricos e mais pobres. Foi a época da Revolta da Chibata, da Revolta da Vacina e tantos outros movimentos que contestavam a desigualdade e exclusão social. 
Avenida Central (atual Rio Branco) em 1920



Na área da saúde, o novo governo queria dar uma solução à questão das doenças mentais, considerando o antigo Hospício da Praia Vermelha, inadequado e “depósito humano”. Começaram a surgir discursos pela criação de um hospital afastado do Centro em que os pacientes recebessem as terapias médicas necessárias. Jacarepaguá foi o lugar escolhido.


Em 1924, foi inaugurada nas terras do Antigo Engenho Novo, o novo hospital para tratamento de pacientes psiquiátricos masculinos. Criado com apenas um núcleo de Pavilhões, a “Colônia Psicopatas-Homens” possuía o que a medicina via como de mais moderno nos tratamentos das psicopatias. 


Havia oficinas de Praxiterapia, isto é, oficinas de colchões, hortaliças e oficinas mecânicas, que ajudaria no tratamento dos doentes e na manutenção do hospital. E o Tratamento Hetero-Familiar, onde o paciente considerado apto era acolhido por alguma família de servidores para sua a reinserção social. Para tanto, ao longo das décadas o governo federal realizou a doação de terrenos para a criação de uma vila de moradores. 

           Ao longo dos anos, a Colônia de Jacarepaguá, sofreu diversas melhorias, ampliações de sua estrutura e formas de atendimento. Passou a possuir 4 núcleos de pavilhões, a atender pacientes mulheres, crianças, tuberculosos e os considerados perigosos. A Vila de Moradores aumentou, recebeu escola, oficinas, cinema e rádio. Foi construído o Bloco Médico Álvaro Ramos, onde eram realizadas as psicocirurgias, como a Lobotomia e tratamentos como o Choque Elétrico e a Convulsoterapia por Cardiazol. 



           Até 1954, a Colônia, que já era nomeada Colônia Juliano Moreira, era considerada modelo de Hospital-Colônia pelo Serviço Nacional de Doenças Mentais, órgão do Governo Federal responsável pela execução das políticas públicas na área da Doença Mental. A colônia era a “garota propaganda” do Governo Populista de Getúlio Vargas, recebendo visita de autoridades políticas em diversas ocasiões.




Com a Ditadura Civil-Militar, a situação da Colônia mudou. Ela passou a sofrer com a superlotação, o choque elétrico passou a ser administrado como forma de punição, o número de servidores, cuidadores, médicos e enfermeiros era insuficiente para atender a população de internos. Faltava verba, médicos, comida e roupas. Em contrapartida, a antiga vila de moradores cresceu criando um verdadeiro bairro dentro de Jacarepaguá. A Colônia era um bairro com uma vida própria ao mesmo tempo que havia se tornado o novo “depósito humano” de doentes. 
Bispo do Rosário, artista internado na Colônia.

Nesse cenário, a reforma psiquiátrica ganhou força dentro da instituição. A luta dos servidores por melhorias e pela reformulação das políticas de saúde mental renderam frutos apesar da repressão durante a ditadura. A reforma possibilitou o fim da internação compulsória e a criação do Hospital Dia. Com o tempo, as antigas instalações que ainda funcionavam foram desativadas e em 1996 o hospital foi municipalizado, passando a se chamar Instituto Municipal de Atendimento à Saúde Mental Juliano Moreira (IMASJM).



Centro Histórico da Colônia Juliano Moreira em abandono

Portão principal do IMASJM