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domingo, 3 de novembro de 2019




Leonardo Santos, 
historiador e pesquisador do IHBAJA

Em maio de 1952, o Cel. Adil de Oliveira teria visto um disco voador nos céus da Barra da Tijuca. Foi o chamado clássico Caso da Barra da Tijuca – O caso foi registrado como “Caso Barra da Tijuca, ano de 1952” e faz parte do acervo “Objeto Voador Não-Identificado” da unidade do Arquivo Nacional.



Por algum tempo foi tratado como sigiloso pela Aeronáutica. Mas por muito pouco, pois logo depois, mais precisamente no dia 17 de maio de 1952, O Cruzeiro, publicou “como encarte 'Extra' na edição de 17– sem chamada na capa e sem inclusão no índice da página 2, indicações de que ficou pronta na última hora, quando grande parte da revista já havia sido impressa.” Lembra Claudeir Covo. 

Com fotos de Ed Keffel e João Martins: 

O Cruzeiro apresenta um fato jornalístico espetacular, a mais sensacional documentação jamais conseguida sobre o mistério dos discos voadores. O estranho objeto veio do mar, com enorme velocidade, e foi visto durante um minuto – Cor cinza-azulado, absolutamente silencioso, sem deixar rastros de fumaça ou de chamas – Relato completo da fascinante aparição na Barra da Tijuca.



Mas tudo não passava de uma grande fraude. Cometida exatamente pelos protagonistas da matéria do Cruzeiro: Keffel (quem produziu a manipulação) e Martins. Mas a confirmação dessa fraude só ocorreria anos depois.






Enquanto isso, a Aeronáutica levaria não apenas as fotos à sério como a versão do cel. Adil de Oliveira. Este chegando a traçar um desenho no papel para reconstituir a trajetória do disco voador.*

Confiando na versão do seu membro, a Aeronáutica encomendou um parecer à Força Aérea Norte-Americana. Esta confirmaria a fraude. 

Mas nem precisava recorrer aos norte-americanos, figuras como Carlos Éboli já haviam declarado serem totalmente falsas as imagens.

E foi esse o ponta-pé da ufologia no Brasil. Com disco voador da Barra da Tijuca. Só que uma fraude cometida pela imprensa, nas páginas do Cruzeiro (Com inestimável colaboração da Aeronáutica).  

* O documento da Aeronáutica, pertencente ao acervo do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, pode ser consultado no seguinte link: https://drive.google.com/open?id=1IMQjAOtJudQnBirghPn8izRuuD-_3NfK


 

COVO, Claudeir. “A maior fraude de uma revista brasileira”. http://almanaquenilomoraes.blogspot.com/2016/09/a-maior-fraude-de-uma-revista-brasileira.html